domingo, 26 de março de 2017

Sócrates: o PS foi cúmplice ou corno?

José Sócrates disputou as primeiras eleições, que ganhou, como secretário-geral do PS, em 2005. Tinha sido ministro do Ambiente no governo anterior. Ganhou as eleições seguintes, na mesma situação, em 2009. Este mandato não chegou ao fim quando o Estado, governado pelo PS, chegou a uma situação de pré-bancarrota.
Sócrates levou consigo para o Governo, e como secretário-geral do PS, suspeitas (que o sistema judicial nunca confirmar nem infirmar) sobre assinaturas “de favor” numa câmara municipal, vantagens obtidas com a Central de Compostagem da Cova da Beira, uma licenciatura de validade discutível por uma universidade privada que o seu governo obrigou a fechar e suspeitas de favorecimento patrimonial, enquanto ministro do Ambiente.
O PS, que se saiba, nunca levantou dúvidas sobre estas matérias. E quando, por causa do “caso Freeport”, Sócrates fez um grande alarido sobre a “campanha negra” de que estaria a ser vítima, o PS apoiou-o.
A Operação Marquês, que o levou à prisão preventiva, envolve-o em suspeitas que constam de um verdadeiro catálogo que, em tal soma, nunca recaíram sobre um político português. Em termos práticos, e segundo o que a Imprensa noticiou relativamente ao que lhe fui imputado no último interrogatório de que foi alvo, como arguido, falamos de corrupção e branqueamento de capitais. Empresas, empresários, um universo financeiro (o Grupo Espírito Santo), banqueiros, construtores e vendedores de carros, industriais do turismo e do ramo farmacêutico… são uma multidão os suspeitos que o Ministério Público e a Procuradoria-Geral da República associam a novas situações de favorecimento patrimonial.
Tudo isto aconteceu quando Sócrates era primeiro-ministro. Quando estava rodeado de ministros e secretários de Estado que também intervinham nas áreas que agora lhe são associadas. E eles sabiam, ou não?
Falta algum tempo para que seja conhecida a acusação, em concreto, contra o primeiro primeiro-ministro arguido por suspeitas de crimes tão graves. Falta ainda mais tempo para a produção de prova em julgamento e para o acórdão da primeira instância e depois para as decisões finais da Relação e do Supremo, passos que obviamente a defesa do arguido Sócrates dará. Pode dizer-se que, até lá, o homem tem direito a ser considerado inocente mas não se pode ignorar que, até agora extrajudicialmente e depois formalmente, tudo o que se vai sabendo é grave. A começar, mesmo que fosse só isso, pelo facto de um ex-primeiro-ministro viver das transferências avultadas de numerário de um seu amigo.
Perante isto tudo, o PS e os seus dirigentes têm estado em silêncio. Muitos foram visitar o arguido mais importante da Operação Marquês à sua prisão. Outros fazem de conta que não aconteceu nada. Outros, ainda, acham-se obrigados a defender o que seria uma espécie de “honra do convento”. 
Mas a pergunta não pode deixar de ser feita: o Partido Socialista sabia? 
E a resposta só tem duas opções: se sabia, nada impediu e continua em silêncio, é cúmplice de tudo aquilo que o seu ex-secretário-geral e ex-primeiro-ministro fez ao arrepio da lei; se não sabia, foi corno.
É a este PS, e aos discípulos do arguido Sócrates, que o País está entregue, graças a um golpe de Estado parlamentar conduzido pelo actual primeiro-ministro e pupilo do arguido Sócrates. 
E se o PS foi cúmplice, é perigoso que o Estado lhe esteja novamente entregue; se foi corno, não está evidentemente qualificado para governar um país.
Mais tarde ou mais cedo, terá de saber-se, em definitivo, se foi uma coisa ou a outra. E se os ministros e secretários de Estado de Sócrates também o foram: cúmplices ou cornos?




terça-feira, 21 de março de 2017

A estúpida cegueira política do PS caldense

Querem melhor prova da inutilidade da "oposição" em Caldas da Rainha, a começar pelo PS?! Ei-la: "Publicidade abusiva suja a cidade": "colocação, recorrente e ilícita, de numerosos cartazes plásticos em espaço público".
É certo que o texto do blogue do PS se refere em concreto a uma entidade mas é lamentável que, com isto, o PS branqueie o hábito porcalhão de muitas outras entidades de andarem a pendurar plásticos em postes e árvores, à beira das estradas e nas rotundas, além de placas de cartolina, que anunciam certas realizações e que depois ficam meses a apodrecer, acumulando-se os restos no chão. Colectividades, juntas de freguesia, partidos políticos... é um vê-se-te-avias.
Esta epidemia de porcaria não suja apenas "a cidade". Suja o concelho todo,  mas todo, das povoações rurais às zonas de maior potencial turístico.
O PS, como aliás a generalidade da "classe política" local, não conhece a realidade fora da capital do concelho. Está ceguinho de todo. E não merece nem um voto!

  





Ler jornais já não é saber mais (11): o neojornalismo lisboeta

Uma das coisas mais deprimentes do neojornalismo é a sua circunscrição a Lisboa e, menos, ao Porto.
A realidade, fora destas cidades, não a conhecem. Não podem (não há dinheiro nos jornais), não querem, não estão para isso.
E o resultado é isto, um título foleirinho como "No Algarve, quem não tem carro não vai a (quase) lado nenhum", onde o neojornalismo do "Público" se derramou com o triunfalismo de quem descobriu outro planeta.
Porque o País é, todo ele, assim: os transportes públicos dignos desse nome existem nas cidades de Lisboa e do Porto. No resto do País haverá capitais de concelhos com redes minimalistas de transportes públicos regulares.
Fora das capitais dos concelhos (onde carreiras de hora a hora, na melhor das hipóteses, pouco resolvem) é, na prática, um "salve-se quem puder", sobretudo quando é necessário ir das povoações do interior à capital do concelho... para tratar daquilo que só nessas cidades é que se pode tratar.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Isto ainda é possível nos dias de hoje?!


Diante de duas moradias de estilo diferente do habitual foi erguida uma pequena casa em formato de caixote artístico, que consegue várias coisas estranhas ao mesmo tempo: (a) tapar a vista às duas outras casas; (b)  ficar encostada às suas estruturas; (c) divergir por completo do estilo (mais cuidado) das casas vizinhas; (d) quase não dispor de espaço à volta; (e) ter uma licença de construção, para habitação, da câmara municipal.
Estou a falar de Caldas da Rainha, onde parece que ainda há um Plano Director Municipal, numa região (Estrada Municipal 566, Serra do Bouro) de grande visibilidade e onde até conseguem criar entraves à construção em zonas que poderiam beneficiar com projectos de habitação adequados.
Pensei que, nos dias de hoje, já não deixavam fazer anormalidades destas. Pelo menos tão descaradamente.
As fotografias são esclarecedoras e foram tiradas hoje e há dois dias.






domingo, 19 de março de 2017

Ler jornais já não é saber mais (10): a autocensura que esconde informação



O cadáver do terrorista, numa imagem das câmaras de segurança (© Reuters)

A imprensa resolveu fazer autocensura e o "DN" tem aqui um belo exemplo deste procedimento que esconde a informação.
Na notícia, assinada e tudo, mal se consegue perceber que os autores destes atentados são inspirados pelo radicalismo islâmico (há uma tímida referência ao Corão no último parágrafo e, mesmo assim, mal escrito), independentemente da sua origem nacional.
Podem ser muçulmanos, europeus ou marcianos mas não deixam de ser, com ou sem bloqueio autocensório, os "lobos solitários" mobilizados através das redes sociais pelos ideólogos (?) do ISIS ou outros.
É por estas e por outras (mas tudo se resume ao "tapar o sol com a peneira") que a imprensa, tal como a conhecemos, já não tem futuro. E o neojornalismo, felizmente, também não.

"Gazeta das Caldas": mais vale tarde do que nunca




A "Gazeta das Caldas" descobriu que o fabuloso parque de estacionamento da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, a obra emblemática do seu competentíssimo presidente, mete água. Mais vale tarde do que nunca, claro. Eu há tinha aqui registado o facto em Dezembro do ano passado.






A "Gazeta" também descobriu agora que há uma zona mesmo no centro da capital do concelho que está há vários meses em terra batida, à espera de ser pavimentada. Mais vale tarde do que nunca, repito. Também aqui já fiz referência a esta característica da gestão municipal nesta zona: o alegre incumprimento de prazos de obras.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Abandono


Isto é uma rua, com placa toponímica e tudo, numa freguesia (ou ex-freguesia) rural do concelho de Caldas da Rainha.



Quanto tempo demora a pavimentar uma rua?

No centro da cidade de Caldas da Rainha, e já há uns cinco meses, uma pequena rua continua por pavimentar.
É a Rua da Rosa, que está no estado que as imagens (captadas hoje, 15 de Março) documentam.
A Camara Municipal de Caldas da Rainha é isto: incompetência e desprezo pelos seus munícipes.
Não deve ser caso único.